O pilar e a manga.
Bem,
na minha infância estudava em uma pequena instituição filantrópica chamada
Rainha da Paz que na época era conhecida como a escola modelo da cidade, pela sua
metodologia conservadora. Por ser uma
escola coordenada por freiras e pessoas ditas católicas, tínhamos um severo cronograma
de atividades diárias que estavam dentro das doutrinas e ensinamentos bíblicos.
No qual antes de todas as aulas rezávamos reunidos em um grande salão que cabiam
todos os alunos da escola e professores, onde juntos cantávamos hinos e
musiquetas cristãs. “Mas isso são apenas detalhes deste cenário tão típico que marcou a
minha infância e vida.”
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“Bicicleta antiga do meu
pai, conhecida como Cambão 1.100”
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Lembro-me
que um belo dia, já tardinha depois do recreio. Fiquei esperando no salão o
resto dos alunos que iriam participar de uma pequena peça teatral que estávamos
ensaiando pra apresentar na escola. Como era horário de aula e os professores
estavam ocupados, os únicos que chegaram fui eu e outra garota que não me
lembro bem qual o nome, mas é figura importante dessa historinha. Ali estávamos
brincando naquele salão esperando os alunos e professores chegarem, quando dei por
mim a menina estava chupando uma suculenta e amarela manga que seduzia qualquer
criança esfomeada como eu. Não pensei duas vezes! Roubei-lhe a manga,
arrancando-a dentre os dedos dela e saí correndo como se ali em minhas mãos tive-se
um troféu, sem destilar vergonha fui correndo e olhando pra traz deixando claro
pra ela que o dono do pedaço e da manga era eu. E dentro de todo esse clima de
confronto no ar quando olhei pra frente era tarde demais, fui de testa em um
pilar caroçudo que tinha exatamente no meio do salão. Um grito fino e irritante
soou no ar; “O mininooo estááá morreeenndoooo”!
Apezar dos gritos histéricos não pararem, tentei me levantar buscando força
na minha perna direita pra chegar até aquela menina e tapar a boca dela com um
bofete. Porem quando passei a mão na cabeça e percebi que estava coberto de
sangue entrei em desespero e comecei a gritar também. (Pausa dramática de
reflexão) Rapidamente os professores e vários alunos chegaram para me acudir,
esvaído em sangue e dor, naquele chão com a “manga na mão”... Minha professora
tentou me acalmar e disse; “calma vamos cessar este sangramento, tragam uma
jarra de água gelada e álcool”... Brevemente pensei; “ela quer me salvar ou me
matar?”... Rapidamente o sangue parou e me entregaram uma fralda que coloquei
na cabeça e fui pra casa. “DE PÉS”, “CAMINHANDO”!!! “Nenhum professor teve a
coragem de me dar uma carona.- “Isso que é caridade cristã” Mas continuando;
quando cheguei em casa minha tia perguntou o que tinha acontecido e me
encaminhou direto para o hospital.. Chamou meu primo Jonathan e disse; “vá rápido
com esse menino pro hospital porque o corte pode ser fundo, cuidee!” Jonathan
tirou a 1.100 (veja na foto) de pai pra fora me colocou no varão e “Acunhô” com
tudo, não livrou um quebra-mola e saiu fazendo ziguezague comigo no meio da
pista até o hospital... “Quando lá cheguei estava sangrando mais do que quando
sofri o acidente.” Entrei na sala do médico, fiz uma pequena costura na cabeça
e fui liberado pra ir embora. Me lembro bem quando meu primo perguntou; “Dr. parece
que o corte foi fundo, ele precisa passar uns dias em casa pra sarar, não é?” O
médico respondeu; “Não! Sangrou muito, mas não foi fundo amanha ele pode voltar
as suas atividades rotineiras.” Até parece que adiantou o laudo médico, quando
chegamos em casa eu e meu primo dissemos que as prescrições do médico dizia que
era uma semana em casa sem ir pra escola. E assim ganhei uns pontos cruz na
cabeça e quase uma semana inteira de férias... Só não foi inteira porque não me
agüentei e voltei pra escola pra mostrar os pontos na cabeça pra meus amigos. Rsrsrsrsrs.

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