Roupa no batedor
Panela encardida de carvão queimado
De um lado trouxa de roupa
Do outro marido entojado
Acorda muito antes que o sol queira inquietar noite calada
Mão calejada, pele morena
No meu nordeste a pequena é conhecida como a mulher mais braba.
Mãe de terras costumeiras
Às vezes pai de uma família inteira
Mãe viúva, mulher rendeira
Trabalha no campo,
Arando terra pra colocar o danado do pão na mesa
Essas mulheres maquiadas da vida
Levando a seca do sertão em traços
Fizeram estória, travaram brigas
E acompanharam lampião no cangaço
Hoje perto, bem pertinho
Nas trincheiras do meu sertão
Essa mulher menina que brincava de ciranda no portão
Virou executiva, promotora, advogada, professora
Gestora de projetos pioneiros
E mostrou pro Brasil inteiro
Que a mulher que varre o terreiro, hoje é a rainha o sertão.
"Esses versos é um agradecimento meu a todas as mulheres desse meu vasto nordeste."

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