sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Loucos

Trabalho no CAPS-I (Centro de atenção psicossocial) onde atendemos pacientes com diferentes problemáticas, desde transtorno mental grave (Psicose) até pessoas que sofreram ou foram vitimas de alguma violência (Assalto, abuso e etc..).  Sou arteterapeuta. Apesar de não ter formação profissional. Uso a Arteterapia no tratamento dos pacientes, trabalho esse de grande importância social, já que os mesmos se consideram uma parte diferenciada da sociedade sendo taxados como “loucos”. Teatro, dança e musica não fazem parte do contexto de vida dessas pessoas e vem diretamente reintegrar-los no meio, transforma-los em cidadãos.


Acredito que a Arteterapia faz efeito, efeito de cura. Quando chego no grupo dou um bom dia e escuto; “O que vamos fazer hoje?” , respiro  e o meu pulmão enche de alegria. Cada paciente tem um histórico de vida difícil, então cada olho que brilha, sorriso, abraço ou até um aperto de mão tem uma grande importância.
É uma conquista! Todos os dias quando acordo saio de casa pronto para uma guerra a favor da felicidade.



Loucos e Santos


Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. 
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. 
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. 
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. 
Deles não quero resposta, quero meu avesso. 
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. 
Para isso, só sendo louco. 
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. 
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. 
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. 
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. 
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. 
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. 
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. 
Não quero amigos adultos nem chatos. 
Quero-os metade infância e outra metade velhice! 
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa. 
Tenho amigos para saber quem eu sou. 
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.

Oscar Wilde

Acredito que todos somos loucos!

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